Archive for the ‘Axiomas’ Category

Meu livro “Os Axiomas da Energia” que estou publicando inicialmente neste blog.

Quarta-feira, Junho 11th, 2008

AXIOMA #9 – COMUNICAÇÕES “TELEPÁTICAS” DESTROEM TODA A ENERGIA

O significado da sua comunicação é a resposta que você obtém, independente da sua intenção.”

(Pressuposto da Programação Neurolinguística)

“Uma imagem vale mais que mil palavras.”

(Popular)

“Não há fenômenos morais, mas apenas uma interpretação moral de fenômenos…”

 (Friedrich Nietzsche.)

 

 

Quando eu era criança, costuma brincar de “telefone sem fio”. Era muito divertido, ainda mais se tivesse uma grande quantidade de pessoas. O ideal era que tivesse mais de dez pessoas.

O “telefone sem fio” é uma brincadeira popular. Basta dispor um grupo de pessoas em uma fila (as pessoas ficam lado a lado, e não uma na frente da outra, como na fila tradicional). Em seguida, lê-se baixinho uma mensagem (preparada previamente) no ouvido da primeira pessoa desta fila. Essa pessoa repete o procedimento, lendo também baixinho a mensagem escutada (entendida) para a próxima pessoa da fila,  e assim por diante. Ao final, a última pessoa lê em voz alta a mensagem que chegou até ela. Então, a primeira pessoa lê a mensagem original. Ante surpresa geral, todos percebem que as duas mensagens são totalmente diferentes. (Esta brincadeira termina sempre com muitas gargalhadas.)

                E por que isto acontece? Porque as comunicações humanas passam por três processos. Tudo que você recebe, através dos cinco sentidos, sofre generalizações, distorções e eliminações. E o que é cada um destes processos? Vamos entender melhor:

                Generalizações: O ser humano, por uma questão de economia de energia (para não ter que pensar muito), simplifica as representações das coisas em seu cérebro. Assim, algo que lembra uma aranha passa a ser considerado perigoso. Uma pessoa mal vestida é associada a um ladrão e, se algumas pessoas não trabalham (funcionários públicos, por exemplo), então todos desta classe são preguiçosos.

Não há nada errado nessa atitude do cérebro. Ela foi muito importante para a evolução do homem. Mas ela precisa ser bem usada. O seu “abuso” produz o preconceito, que é limitante. Porém, sem as generalizações, o cérebro cansaria logo nos primeiro minutos de atividade do dia. Seria como se tudo que você avistasse fosse como da primeira vez. Assim, o seu cérebro ficaria fazendo “primeiras avaliações” de tudo que lhe aparecesse na frente. Não haveria memórias acumulados para auxiliar estes julgamentos. Ele entraria em colapso, ou você simplesmente não conseguiria concluir muitas coisas durante o dia. Estaria o tempo todo reaprendendo as coisas. O cérebro generaliza para funcionar melhor.  

                Distorções: Nosso cérebro sempre faz uma “adaptação” de tudo que nos chega. Ele se baseia em nossas memórias, na nossa experiência de vida. Para que uma coisa nos faça sentido, precisa se parecer com algo que nós conhecemos, ou então é descartada. Assim, alteramos (distorcemos) tudo para fique mais palatável. Ou seja, assim como fazemos como os pratos que vamos comer, para toda informação que nos chega, pomos os nossos temperos e condimentos, para que fique ao nosso gosto.

                Eliminações: A quantidade de informações que recebemos é imensa. Mesmo as coisas simples são cheias de detalhes. Assim, para não sobrecarregar o nosso cérebro, filtramos a grande maioria das informações, deixando passar apenas o que nos é necessário para o momento. Vamos a um exemplo clássico. Imagine que você acabou de comprar um carro novo. Você adquiriu um sedan preto popular de um fabricante tradicional. Ao começar a andar com seu carro novo pelas ruas, você começa a enxergar um monte de carros iguais ao seu. Você fica impressionado com isto. Então eu te pergunto: antes de ter este carro, você percebia esta quantidade de carros deste modelo?. A resposta certamente será não. Nossa percepção é seletiva. Os carros sempre estiveram lá, mas não nos interessava percebê-los. Assim esta parte da informação era sempre retirada das que você recebia do trânsito, que era uma rua cheia de carros. Provavelmente, você percebia os modelos iguais ao seu carro anterior. Uma mulher grávida também passa a perceber muitas grávidas em todo o lugar que passa.  Então, é fato que: o cérebro elimina a maior parte da informação que recebe, deixando passar somente o pouco desta informação, que é a que interessa naquela circunstância.

                Se considerarmos que toda comunicação passa por estes três processos, não é de se admirar que, dada a enorme quantidade de vezes que nos comunicamos durante o dia, não tenhamos muitos erros e elevada comunicação ineficiente. Pois bem: temos sim! Boa parte da nossa comunicação é mal realizada. Esta comunicação ineficiente enfraquece, e até destrói, empresas, famílias, relacionamentos e pões países em guerra. E isto acontece desde que o mundo é mundo. Em função da comunicação, muita energia é destruída, pulverizada, usada para não produzir ou dissipada.  

Entendendo isto, fica fácil compreender o que acontece com o telefone sem fio. Depois de sucessivas generalizações, distorções e eliminações, a informação final não corresponde a quase nada da original. Na grande maioria dos casos ela até representa o contrário. Há uma fabula que conta que certa vez um homem, de uma pequena vila, viu um bando de sete pombas pretas voando no céu. Olhando mais atentamente, ele percebeu que uma das pombas tinha uma pequena pinta branca em uma das asas. Ele então contou isto a um amigo, que contou a outro, e que contou a outro, e assim por diante. No final do dia ele ficou surpreso ao saber que alguém tinha visto sete pombas brancas, sendo que uma delas possuía uma pequena pinta preta em uma das asas. Exatamente o contrário.

Quando o nosso cérebro armazena algo, ele o faz através de imagens. A estas imagens,  ele associa sensações. Sempre que pensamos nesta imagem, o cérebro resgata as sensações associadas a ela. Assim, por exemplo, quando alguém lembra do avô, já falecido, resgata os sentimentos e saudades que sente por ele. Pois bem, quando esta pessoa fala sobre o avô para outra pessoa, vai a descrição física do avô, mas as suas sensações (sentimentos) não são transmitidos para o outro. A outra pessoa pode até resgatar a imagem  do seu próprio avô e, atrelado a isto,  reascender os seus próprios sentimentos relacionados a este, mas, certamente, os seus sentimentos são muito diferentes dos do emissor da mensagem. Imagine uma pessoa que não conheceu o avô, e que não teve experiências com este, que possam ser resgatadas. É muito diferente de uma pessoa que foi criada pelos avós. A palavra “avô” pode simplesmente não significar nada para alguns e muito para outros.

Temos a mania de achar que sentimentos estão implícitos nas mensagens verbalmente transmitidas. Com freqüência nos indignamos quando as pessoas não demonstram se sensibilizarem com as coisas que falamos. Pense, por exemplo, naquele chefe que esteve em uma sala de reuniões, onde passou oito horas discutindo com clientes exaltados e insatisfeitos com o atendimento recebido. Suponha que esta reunião foi recheada de discussões, ânimos exaltados, xingamentos e críticas pesadas, e que este executivo ficou exposto a fortes emoções durante todo este tempo. E isto aconteceu durante horas a fio. Ele sai então da reunião profundamente sensibilizado e convencido de que o serviço deve melhorar. Agora imagine este mesmo chefe fazendo uma reunião, de apenas trinta minutos, com a sua equipe e dizendo: “nossos clientes estão indignados com o nosso atendimento”. Precisamos agir.

 Uma semana depois, ele percebe que as ações da equipe foram mínimas. Ninguém quase se mexeu. Então ele reúne novamente a turma e dá uma tremenda bronca. Fica irado com o fato das pessoas não terem se indignado, tanto quanto ele, e muito menos agido. Ora, claro que não!. Ele pode até pensar que todas as oito horas de emoções - que ele sentiu e estão dentro do seu cérebro - passarão para os cérebros dos  outros,  encapsuladas dentro das palavras, mas só se for por telepatia. Uma frase tão curta não tem esse poder de conter tanta informação (na verdade, nenhuma frase tem essa capacidade).

Nada consegue transferir emoções. Você tem que viver as emoções. Ninguém pode vivê-las por você ou transferi-las. Quando você se sensibiliza com a situação de alguém é porque já viveu experiência similar. É comum pessoas que escapam de doenças, como o câncer, se engajarem nesta causa. Quando eles dizem a alguém doente: sei como você está se sentindo, eles sabem do que estão falando.

A menos que a comunicação telepática seja inventada, o que você está pensando, ou sentindo, não será jamais transferido, pelo ar, para o cérebro das outras pessoas.

E há como corrigir ou evitar os erros da distorção, eliminação e generalização? Infelizmente não! Não há como evitar isto. Mas há como conviver. Como minimizar os males provocados. Há basicamente três antídotos:

1.       Comunicação de alta qualidade:  Sem substantivos abstratos, sem locuções verbais, com poucos adjetivos e advérbios, com verbos mais fortes (que indicam ações), e com comunicação sensorial (percebida pelos cinco sentidos).

2.       Comunicação direta:  Sem intermediários ou etapas.

3.       Comunicação com a quantidade de energia adequada:  Comunicação que emprega as ferramentas adequadas para cada situação. Um exemplo é: falar pessoalmente, quando isto necessitar, ao invés de telefonar ou passar um e-mail. Para cada situação há uma comunicação mais eficaz.

 Estes enfoques da comunicação serão tratados no nosso próximo axioma, onde os analisaremos detalhadamente.

 

 

Os Axiomas da Energia

Segunda-feira, Junho 2nd, 2008

AXIOMA #8 – OS PROBLEMAS ROUBAM ENERGIA.

“Vão-se os anéis… ficam-se os dedos.”

(Popular.)

“Se você encontrar um caminho sem obstáculos, ele provavelmente não leva a lugar nenhum.”
(Frank A. Clark.)

“Um problema sem solução é um problema mal colocado.”

(Ralph Emerson.)

 

                No antigo Japão, o velho e sábio Imperador resolveu fazer um concurso para escolher o seu sucessor. Ele tinha uma única filha e o vencedor ganharia também a mão da jovem princesa. Os milhares de candidatos foram submetidos a uma seqüência de jogos que desafiavam suas inteligências, forças  e habilidades físicas. Após vários dias de combates e desafios, três jovens cavalheiros restaram. Por mais que novos desafios fossem lançados, os jovens permaneciam empatados. Então o imperador encomendou ao sábio da corte, um teste para desempatar a disputa. O sábio juntou os jovens em uma sala do palácio e falou:

- Eu vou apresentar para vocês um problema… e aquele que o resolver será o escolhido.

                Dito isto, o sábio colocou um belíssimo vaso de porcelana em cima da mesa. O vaso possuía desenhos que pareciam labirintos, tinha aros pintados em ouro e prata e era ornado por diamantes e esmeraldas. Em seguida o sábio falou:

                - Eis o problema para vocês resolverem.

                Imediatamente, um dos jovens levantou-se, sacou a espada e, desfechando um único e certeiro golpe, partiu o vaso em dezenas de pedaços.

                - Você é o escolhido, falou o sábio dirigindo-se ao jovem que já guardara a espada e voltara a sentar-se no chão.

                Diante da revolta, que já começava a se manifestar, por parte dos outros dois, o sábio explicou:

                - Se você tem um problema, elimine-o. Faça isto independente dele ser um “belo” problema, ou ele acabará roubando todas as suas energias. Um problema é sempre um problema, independente do seu tamanho ou da sua beleza. Acabe com ele, antes que ele acabe com você.

-x-

                A escritora chinesa Chin-Ning Chu, em seu Best Seller:  “Faça menos e conquiste mais” fala de um jeito prático que ela criou para lidar com todos os papéis que chegam as suas mãos:

                1 – Resolve;

                2 – Põe no lixo;

                3 – Arquiva.

                Ela nunca deixa um monte de papéis em cima da sua mesa, pois isto rouba toda a sua energia.  Assim para cada papel, ela aplica uma das três opções acima.

Eu comecei a aplicar estas três regras desde que li o livro em 2002 e hoje vivo muito bem sem papeis em cima da minha mesa. Sempre que algum documento chega às minhas mãos procuro resolver logo. Se é para assinar, faço logo isto e devolvo imediatamente. Se é uma cópia enviada para meu conhecimento, leio e destruo a cópia (lixo), ou arquivo, se o documento for importante. Faço o mesmo para as mensagens de e-mail, que funcionam como os documentos de antigamente.

Criei uma metáfora para exemplificar este caso dos papéis. Considero que cada papel deixado em cima da nossa mesa fica nos apontando o dedo e cobrando um “não se esqueça de mim!”. Assim, se acumulamos paéis em cima da mesa, sem uma solução para eles, passamos o dia vendo eles nos apontando o dedo e dizendo: “não se equeça de mim!”. Após tanta cobrança, ficamos esgotados e vamos para casa com a sensação de que fomos pouco produtivos durante o dia. No dia seguinte, quando chegamos para trabalhar, já encontramos aquele monte de dedos apontando para as nossas caras e cobrando: “não se esqueça de mim!”.

Com o tempo, passei a aplicar estas três opções para as demais coisas, além dos papéis. Tudo que chega as minhas mãos tem um destino também. O mais difícil é arquivar, mais toda coisa tem o seu lugar. Um bola tem o seu lugar no armário, uma roupa tem o seu lugar no guarda-roupas e um livro tem o seu lugar na estante. Estas regras funcionam muito bem para as coisas. Imagine você chegar em casa e encontrar alguns sapatos e camisas no chão da casa apontando o dedo para você e gritando, feito um coral, “não esqueça de mim!”, exatamente no momento em que você chega exausto. Nem pensar!.

-x-

Uma rede de computadores é um sistema complexo. Possui muitos computadores, equipamentos de comutação (switchs e roteadores), programas e fios (quilômetros de fios). Tudo interligado. Nada pode deixar de funcionar. Um simples pedaço de fio mal conectado pode parar a rede inteira. Podemos ter, por exemplo, uma parada no meio do expediente e uma empresa esperando enquanto um grupo de técnicos vai a caça de um problema que pode ser gerado por um minúsculo pedaço de fio. E isto pode levar horas, provocando prejuízo financeiro e de imagem. E qual é o segredo, para fazer uma rede de computadores funcionando com alta disponibilidade? A resposta é simples: eliminando-se as fontes de problemas. Um cabo de rede que sofreu um “puxão” e está retorcido é trocado para não causar danos depois.  Um switch que suporta os servidores e começa a travar repetidamente é trocado. Um computador, que desempenha funções vitais, é trocado quando apresenta problemas ou quando atinge certa quantidade de horas de funcionamento, antes que comece a dar problemas.

   As equipes, compostas por pessoas de diferentes personalidades, são sistemas bem mais complexos do que redes de computadores e requerem atenção especial. Em uma equipe, os problemas que surgem devem ser resolvidos imediatamente. Como gosta de dizer o grande mestre Artur Marinho, um problema não resolvido vira uma latência (uma mágoa), e as mágoas gastam mais energia para serem resolvidas. O que dizer então de um ultraje, que é uma profunda latência. Os ultrajes são provocados por acúmulos de latências mal resolvidas. É como uma panela de pressão esquecida no fogo, uma hora ela explode. Em uma equipe, os problemas de relacionamento devem ser resolvidos imediatamente.

Outra questão relacionada com as equipes é  a do desempenho. Uma equipe é como uma corrente: tão fraca quanto o mais fraco dos seus elos. Se você tem alguém com baixo desempenho, trate de resolver logo, antes que isto prejudique todo o desempenho do grupo. Esta questão de pessoas com baixo desempenho pode ser resolvida “antes” ou “depois”. “Antes” é durante o processo de seleção. Se você fizer um bom processo de seleção não precisará fazer uma correção “depois”, que consiste às vezes em ter que demitir alguém. Mas se você tiver que fazê-lo, faça-o logo.

Um bom processo de seleção gasta muita energia. Já entrevistei quarenta pessoas para selecionar um candidato para estágio. Considerando que conversei pelo menos trinta minutos com cada candidato, foram umas vinte horas de entrevistas. Podemos considerar isto um enorme gasto de energia. Mas eu posso te garantir que esta energia é mínima perto da que você gastará no dia a dia tentando consertar uma pessoa que foi mal selecionada. Se após muita tentativa, você tiver que demiti-la, então a energia do desgaste emocional, para você e a sua equipe, é muito maior do que isto.  Multiplique por mil que ainda é pouco.  

Os médicos, nos campos de batalha, são obrigados a tomar decisões extremas. Quando  não conseguem salvar os membros dilacerados dos soldados atingidos por bombas ou minas, eles tem que amputá-los. Em muitos dos casos esta decisão é tomada em conjunto com o próprio enfermo. Muitas destas cirurgias são realizadas sem anestesia, e doem muito, mas se não tomadas a tempo, o paciente pode morrer. Muitos dos problemas que temos que resolver são como amputar uma perna, você sabe que vai doer muito, mas ela precisam ser cortada fora.

 

 

 

 

 

 

Os Axiomas da Energia

Quarta-feira, Maio 28th, 2008

AXIOMA #7 – QUANTO MAIS SIMPLES, MENOS ENERGIA É GASTA.

 A simplicidade é a extrema sofisticação.”
(Leonardo da Vinci..

Mas, por favor, fale devagar, pois tenho dificuldade em entender as coisas rapidamente.”
(Albert Einstein dirigindo-se ao físico Banesh Hoffman.)

“Todas as grandes coisas são simples, e muitas podem ser expressas em uma única palavra: liberdade, justiça, honra, responsabilidade, compaixõ, esperança”

 (Winston Churchill.)

 

Albert Einstein mudou-se para os Estados Unidos em 1933, fugindo da perseguição nazista aos judeus na Alemanha, que se acentuou após a ascensão de Hitler ao poder. Na América, ele residiu na cidade de Princeton, onde era professor da universidade local. Junto com Einstein, vários outros cientistas também foram para a América, fungindo da opressão dos estados totalitários que começavam a se formar.

Nos Estados Unidos, os cientistas constumavam se encontrar regularmente para discutir política, atualidades, esportes e ciências. Em um destes encontros, um cientista amigo trouxe-lhe uma um pilha de papéis, cheios de fórmulas matemáticas e , mostrando-lhe, disse-lhe:

Albert, lembra daquele fenômeno natural que eu estava estudando? Eis que finalmente consegui decifrar a fórmula.

Einstein fitou aquele monte de papéis e soltou um seco: “está errado!”.

Obviamente que o amigo ficou indignado com aquela resposta. Logo ele que tinha passado noites e noites acordado decifrando o dito processo natural, teve que escutar um tão desapaixonado “está errado!”.

Ante protestos veementes, e quando o clima já começava a esquentar, Einstein explicou: Se você está dizendo que este emaranhado de fórmulas representa um fenômeno natural, então você está errado!. Na natureza, todas as fórmulas são simples. São assim tipo “E=MC2”. Uma linhazinha só. Se você tem uma fórmula complexa, então ela não representa um fenômeno natural.

            Me pondo a pensar sobre esta passagem da vida do grande cientista, cheguei a conclusão de que as coisas são mesmo muito simples. Os planetas, por exemplo, giram ao redor do sol e se mantem em equilíbrio graças à força da gravidade, que é muito básica: os corpos se atraem tanto quanto maior forem os seus tamanhos e quanto menor for a distância entre eles. E é esta fórmula que rege todos os corpos do universo, fazendo surgir as galáxias e os buracos negros. É ela também que faz o sol “queimar”, pois sua altíssima gravidade dispara o processo de fusão do hidrogênio transformando-o em hélio e gerando a luz que nos aquece durante o dia.

            É atribuida ao Samuel Klein, fundador das Casas Bahia uma famosa frase. Quando  indagado sobre o segredo do seu sucesso, ele declarou: “Eu compro por cem e vendo por duzentos”. Esta frase é fantástica, tal a simplicidade e poder. Comprar por cem significa: gastar muita energia para comprar bem. Vender por duzentos significa: gastar pouca energia para vender bem (exatamente pelo fato de ter comprado bem anteriormente). Simples e expetacular.

No seu livro “Idéias que colam”, Chip Heath e Dan Heath contam que o Herb Kelleher [veterano CEO da Southwest] disse  certa vez: “Posso ensiná-los o segredo para comandar esta companhia aérea em trinta segundos: Somos a companhia aérea com tarifas MAIS baratas. Ao compreender este fato, você poderá tomar qualquer decisão sobre o futuro da empresa tão bem quanto eu.”

Ele disse: “Vejamos um exemplo. Tracy, da área de marketing, vem procurá-lo. Ela diz que suas pesquisas indicam que os passageiros gostariam que fossem incluídas entradas leves no vôo de Houston para Las Vegas. No momento servimos amendoim. Ela acredita que uma boa salada da Ceasar com frango seria uma boa pedida. O que você acha?”

A princípio a pessoa não sabia o que dizer. Então Kelleher respondeu: “Você diz, ‘Tracy, o acréscimo dessa salada salada Ceasar com frango nos transformará na companhia aérea com tarifas MAIS baratas, no trecho Houston-Las Vegas? Pois, se isso não contribuir para os tornar a companhia aérea com tarifas MAIS baratas, não serviremos essa maldita salada com frango.´”

A intenção do comando de Kelleher é “Somos a companhia aérea com tarifas MAIS baratas”. É uma ideia simples, mas útil o suficiente para orientar as ações dos empregados da Southwest por mais de trinta anos.

O poder do simples pode ser atestado continuamente. Recentemente vimos a Apple lançar o Ipod, um pequeno aparelho para armazenar e tocar músicas (e agora executar vídeos). Sem querer entrar em uma análise mais detalhada, ainda mais sobre um aparelho tão alardeado e pesquisado, tenho pelo algo a acrescentar. Se você olhar a parte da frente do aparelho vai ver que você “faz tudo” nele usando um único botão em forma de círculo, que contém apenas quatro opções (menú, retroceder, avançar e tocar).

Todas as soluções simples gastam pouca energia para operar. As ideias complexas tendem a gastar muita energia para continuar funcionando e invariavelmente terminam sendo abandonadas. As coisas simples se auto sustentam.

Todas as grandes invenções da humanidade são baseadas em fórmulas simples. Um motor de carro, por exemplo, pode ser resumido como: você injeta combustível em um cilindro fechado e põe fogo… ai ele explode, gerando movimento. Até mesmo um computador não passa de um conjunto de coisas simples realizando tarefas complexas.

Quando temos algum problema na empresa, convoco a equipe e peço ajuda. Ponho a turma para pensar. Quando finalmente um deles me traz uma ideia, analiso se ela é simples.  Se puder ser explicada em uma pequena frase, fico feliz pois tenho certeza de que a solução está perto; caso contrário, oriento-o a dar meia volta e pensar mais um pouco.

 

 

  

 

 

Os Axiomas da Energia

Segunda-feira, Maio 19th, 2008

AXIOMA #6 – A QUANTIDADE DE ENERGIA APLICADA DEFINE O RESULTADO.

 “Qualquer um pode zangar-se - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneria certa - não é fácil.”
(Aristóles em sua “Ética a Nicômaco” )

“Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém,  isento de sentido.”

(Carl Gustav Jung).

 

“Você faz suas escolhas, e suas escolhas fazem você.”

 (Steve Beckman)

 

O jogo de golfe possui oitenta milhões de praticantes no mundo todo. Somente nos Estados Unidos são trinta e um milhões, segundo a revista Sports Magazine. Os campos de golfe dos estados unidos superam a marca de trinta mil. De cada dez pessoas que iniciam sua prática, oito continuam no esporte, o que carateriza a maior taxa de retenção entre todos os esportes.

  Entrender o jogo de golfe é muito fácil. Você tem uma bola, um taco e um buraco (dezoito no total em um campo) e você deve fazer com que a bola caia no buraco, usando a menor quantidade de tacadas possível.

Imagine uma jogada típica de golfe, em que a bola está a cinco metros de distância do buraco. O jogador fará a tentativa de “embocá-la” em uma única tacada. Calculando a força necessária, este jogador bate na bola, e… esta passa pelo buraco, ficando a dois metros após este, com um deslocamente de um metro para à esquerda.

O que deu errado? Basicamente duas coisas: a direção e a força empregada. É tão simples acertar o buraco. Basta colocar a quantidade de força para que a bola não pare antes nem depois. Em seguida, é só aprumar na direção do buraco e bater. Fica dificil, para um espectador como eu, em frente da televisão, entender como este jogador pôde errar uma jogada tão fácil.

Infelizmente, nem no golfe, e muito menos na vida, não é assim tão fácil empregar a força adequada. Constantemente colocamos força de mais ou de menos. Constitui-se, portanto, o grande desafio da vida, aprender a empregar a quantidade de força adequada para tacada que vamos dar.

E como fazemos isto? Não há uma fórmula mágica. É com muita tentativa e erro.

Felizmente, na vida real não há necessidade de termos uma pontaria tão certeira como a exigida no golfe. Os objetivos não tem a precisão de um buraco de oito centímetros. Na maioria das vezes, a decisão é entre colocar pouca, média ou muita energia. Um erro grave passa a ser não colocar energia alguma em algo que necessita de grandes porções dela, ou o contrário.

Tudo na vida tem a sua quantidade certa de energia. Se você aplicar menos do que isto, terá um resultado ruim e poderá até perder tudo que aplicou. Se aplicar demais, vai faltar para as outras coisas. Assim, o grande segredo é escolher a quantidade certa de energia. E esta é uma decisão que deveremos tomar antes de começar a agir.

É necessário descobrir quanto de energia o nosso trabalho diário vai exigir e aplicá-la, ou do contrário não vamos realizá-lo bem. As tarefas vão ficar pela metade ou com uma qualidade inferior ao desejado.

Outro dia, tristemente, tive uma conversa com um grande amigo de infância que me contou dos problemas que estava tendo com o filho de dezoito anos. Ele, um advogado bem sucedido, com uma conta bancária que já supera os sete dígitos, está com o filho internado para tratamento contra drogas. Após ouví-lo reclamar do quanto a vida estava sendo injusta com ele, me propus a fazer alguns cálculos com a sua ajuda. Peguntei quantas horas por semana ele tinha dedicado ao filho nos últimos dez anos. Após, conta pra e conta pra cá, descobrimos que ele tinha aplicado menos de uma hora semanal de energia para com o filho, e isto mesmo, durante uma hora do jantar do domingo, quando finalmente a familia ficava junta e mesmo assim a maior parte do tempo era assistindo à televisão enquanto comiam. O ano possui 8.736 horas e ele estava mal aplicando 52 horas de energia com o filho? Isto não poderia dar certo. Nos despedimos e ele, pensativo, me prometeu que iria reverter esta situação.

Michael Anthony Jacobs é um inglês que mora no Brasil desde 1967. É dele o livro “Como NÃO aprender inglês.”, que já vendeu mais de 100.000 cópias. No seu livro há uma passagem, que transcrevo abaixo,  que ilustra bem o nosso conceito de quantidade de energia necessária.

“Muitas pessoas me perguntam quanto tempo precisarão para aprender inglês: seis meses, um, dois, quatro anos? Respondo sempre: 1200 horas. Às vezes olham para mim com ar perplexo e perguntam novamente. Mas quanto tempo isto leva, no total? Repito 1200 horas.

Se você precisa de 1200 horas e estuda três por semana, o que é bastante comum, duas aulas de uma hora e meia cada, teremos:

                                               1200  = 400

                                                  3

Serão 400 semanas, ou seja, aproximadamente oito anos.

Agora tomemos essas mesmas 1200 horas sob outras circustancias. Você vai morar em um país de lingua inglesa para melhorar o seu inglês. Você dorme oito horas. Ao acordar, liga o rádio ou a TV para se manter informado (notícias em inglês), toma seu café da manhã com seus novos amigos (falando em inglês), compra um jornal, estuda, trabalha, diverte-se. Tudo, e sempre, em inglês.

Sabe o que acontece? Suas 1200 horas agora divididas por 16 horas (todo o tempo que estiver acordado).

                                              1200 = 75

                                               16

Setenta e cinco o quê? Dias, é claro. Dois meses e meio. Compare isto com os oito anos anteriores. A mensagem aqui é bastante e objetiva, não é? E com uma vantagem. Nessas circunstâncias, você não estará estudando inglês, e sim, vivendo inglês..

  

A mensagem do professor Michel vale para tudo na nossa vida. Se para aprender inglês é 1200 horas, para todas as outras coisas há uma quantidade de energia necessária. Cabe-nos descobrir baseado em nossas experiências e nas experiências dos outros. Há ampla bibliografia utilizada na gestão de projetos e que pode servir de referência.

No começo de 2008, na Alesat, empresa onde trabalho, fiz parte da equipe que implantou a nota fiscal eletrônica. Era um projeto complexo e que precisava funcionar ou não conseguiríamos faturar os nossos produtos. E qual a quantidade de energia que empregamos? 20 pessoas focadas 10 horas por dia, durante 60 dias. A conta totalizou 12.000 horas de energia. Desconfiei desde o princípio de que este projeto estava “condenado” a dar certo. Não deu outra, sucesso absoluto!!.

Os Axiomas da Energia

Quinta-feira, Maio 15th, 2008

AXIOMA # 05 – FECHAR PORTAS PRESERVA ENERGIA

 “Há dois tipos de pessoas: As que fazem as coisas, e as que dizem que
fizeram as coisas. Tente ficar no primeiro tipo. Há menos competição”.
(Indira Ghandi)

“Desistir é uma solução permanente para um problema temporário.”

 (James MacArthur.)

 

“É preciso muito tempo para tornar-se jovem.”

 (Pablo Picasso).

 

No início dos anos 2000, a Rede Globo de Televisão apresentou, em seu programa Globo Reporter, uma matéria sobre longevidade. Nesta matéria, de uma hora de duração, foram mostradas pessoas com idades acima de oitenta anos que, a despeito do tempo, mantinham-se em forte atividade. Algumas, inclusive, dedicavam-se ao trabalho com cargas horarias acima de oito horas. Uma imagem, particularmente,  ficou marcada em minha memória: uma senhora de noventa e cinco anos que adorava dirigir velozmente o seu fusquinha.

Como fonte para toda esta energia, médicos entrevistados  recomendavam cuidados como: boa alimentação, leitura, atividades físicas e dormir bem. Estes ingredientes eram fundamentais para o envelhecimento cheio de disposição e livres das doenças, comuns aos idosos, como cardiopatias, artrites, diabetes e problemas de pressão.

Em um determinado momento, fazendo um pouco de mistério, o reporter anunciou que, além da prescrição  convencional, uma outra atitude era decisiva para a boa longevidade. Em seguida, ele apareceu em prédio, com um longo conjunto de salas, que aparentava ser um museu, cheio de portas por todos os lados. Ato contínuo, ele começou a caminhar em direção à câmera, que se encontrava a uns vinte metros de distância. Para cada sala que percorria, aos sair desta, ele fechava a porta por onde havia acabado de passar. Uma dezena de portas fechadas depois, o reporter olha direto para a câmera, que o focava em “close”, e fala:

- Este é o segredo. Fechar as portas por onde passar. Não deixe portas abertas para trás.

Fez-se um silêncio de cinco segundos, que pareceu uma hora. Quando eu já me ponha a imaginar uns três ou quatro cenários para a “metáfora”, meus pensamentos foram interrompidos pela narrativa do reporter.   

- Os médicos geriatras que acompanham estas pessoas descobriram, através de entrevistas, que elas possuem um padrão de comportamento. Um modelo mental comum. Elas nunca deixam um assunto para trás “em aberto”, sem tê-los resolvido. Cada situação é aberta e fechada. Eles não voltam “três salas” atrás para fechar a porta que esqueceram, ou para dar uma solução à aquela questão “mal-resolvida”.

- Cuidado!, continou o reporter,  as portas deixadas abertas roubam toda a sua energia.  Então, você adoece e morre cêdo!, exclamou ele no final.

Naquela noite, pensei muito sobre o assunto, e esta é uma metáfora que guardo para toda a vida.

Fechar portas significa terminar um trabalho que se começou; mas também significa decidir não terminá-lo, e simplesmente encerrar o assunto. É liberar espaço na memória e dar o fato por concluído.

Encerrá-los também significa tomar uma decisão, mesmo que esta não seja a melhor, em vez de ficar “pensando” durante vários meses, e até anos, sem chegar a um desfecho. É tomar partido, em vez de ficar em cima do muro.

Fechar portas é como faz o soldado na guerra, que ao perceber que a perna ferida não tem salvação, manda cortá-la, mesmo sem anestesia, e segue em frente, antes que esta contamine todo o resto do corpo.

É imprescindível que acabemos com as questões pendentes, antes que estas acabem conosco. Procuro fechar todas as minhas portas, mesmo que seja com esparadrapo, ou amarrando com um cordãozinho de nylon.

 

 

Os Axiomas da Energia

Terça-feira, Maio 13th, 2008

AXIOMA # 04 – ALTO DESEMPENHO = PAIXÃO + TALENTO

 “Um objetivo na vida é a única fortuna que vale a pena ser encontrada; e não é para ser descoberta em terras estrangeiras; mas no próprio coração..”
(Robert Louis Stevenson).

“Eficiência é fazer as coisas da maneira certa.
E eficácia é fazer as coisas certas.
Ambas são importantes; não sacrifique a eficácia por causa da eficiência
.”
 (Daniel Grippo no seu livro “Terapia do Trabalho”)

 

“A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma.”
(John Ruskin).

 

De modo geral, tanto os critérios usados nos axiomas 2 e 3 implicam em um uso mais eficiente da energia humana na execução de tarefas. Quanto maior a habilidade ou prazer, menor será a energia gasta para agir e produzir resultados.

Para obter alto desempenho precisaremos, entretanto, combinar as duas classificações através da unificação das duas tabelas. Temos, assim, nas intercessões, as áreas com os seus respectivos desempenhos.

 

 

 

HABILIDADE

 

AFINIDADE

 

 

 

+3

+2

+1

0

-1

-2

-3

 

+3

 

ALTÍSSIMO

DESEMPENHO

 

 

 

 

+2

 

ALTO DESEMPENHO

 

+1

 

 

MÉDIO DESEMPENHO

 

0

 

 

-1

 

BAIXO DESEMPENHO

 

-2

 

 

-3

 

 

Na primeira área, em preto, estão os “faixas pretas” que são as pessoas de afinidade +3 e  habilidade +3, que possuem atuação de altíssimo desempenho. São os mestres das profissões. Estas pessoas ocupam o topo da sua área de trabalho e são escassas.

  Na área verde, temos as pessoas de alto desempenho. São muito produtivas e inteligentes. Elas são a combinação de muita habilidade com prazer pelo que fazem.

 Na área amarela, estão as pessoas de  desempenho médio. Esta faixa é ocupada por 50 % da população. As pessoas desta faixa recebem salários modestos.

A faixa vermelha destaca os de baixo desempenho. São pessoas que duram pouco nos empregos, e com freqüência são demitidas. A ocupação desta faixa pode significar que estas pessoas não conseguiram descobrir as suas verdadeiras vocações, pois há sempre algo que sabemos fazer melhor do que a maioria das pessoas.

Para a avaliação de nossa carreira profissional, quanto mais próximo estivermos da faixa {+3, +3}, mais realizados nos sentiremos. Quanto mais longe da faixa vermelha, menos estresse.

Obviamente, não poderemos nos furtar de termos que fazer coisas da faixa vermelha. Nem sempre podemos escolher o que fazer e em algumas circunstâncias somos mesmos obrigados a encarar situações onde temos poucas habilidades. Nestes casos recomendo que peçamos ajuda. Tem sempre aquele amigo que sabe lidar muito bem com algumas situações específicas.

No trabalho, a minha recomendação é: delegue estas tarefas para pessoas mais aptas a fazê-las ou contrate uma empresa especializada. Se não tiver jeito, paciência, ponha a “faca nos dentes” e mãos a obra.

Com habilidade, poderemos transformar nossas atividades  em algo bastante agradável e produtivo. Basta re-arrumar as tarefas e mudar alguns ”jogadores” de posição.

 

 

 

 

 

 

Os Axiomas da Energia

Domingo, Maio 11th, 2008

AXIOMA # 3 – COM TALENTO, TUDO FICA MAIS FÁCIL…

 

 “Os talentos atingem metas que ninguém mais pode atingir, os gênios atingem metas que ninguém jamais consegue ver.”
(Arthur Schopenhauer).

“Qualquer tolo inteligente consegue fazer coisas maiores e mais complexas. É necessário um toque de gênio e muita coragem para ir na direção oposta.”
( Albert Einstein )

 

“O mais valioso de todos os talentos é aquele de nunca usar duas palavras quando uma basta.”

 (Thomas Jefferson)

 

A distribuição das tarefas em função das afinidades das pessoas, conforme descrito no Axioma # 2, não resolve todos os problemas de eficiência no uso da energia. Infelizmente, não é tão fácil, quanto se pensa, colocar as pessoas nos lugares certos. Nem sempre o que as pessoas adoram fazer corresponde  ao que elas podem efetivamente fazê-lo.

 Algumas limitações existem. Há limitações físicas e inabilidades intelectuais. Uma pessoa de um metro e meio terá dificuldades para jogar basquete em uma liga profissional, mas tem fatores positivos para praticar ginástica olímpica, por exemplo.

O mesmo conceito pode ser aplicado às habilidades mentais. Conheço gente que já entrou em cursos de inglês, por mais de uma dezena de vezes, e mal consegue pronunciar “good morning”, enquanto outras aprenderam o idioma ouvindo música, sozinhos, sem aparentemente fazer muito esforço. Tive um amigo de infância que adorava jogar futebol. Ele era o primeiro a chegar, no campinho, e o último a sair também,  e mesmo assim não conseguiu se tornar um jogador razoável. Há pessoas que parecem ter talento natural para algumas atividades como, por exemplo, tocar música, outras para praticar esportes, algumas para matemática, e assim por diante.

A estas habilidades naturais chamamos de dom. Eu particularmente acredito que estas habilidades naturais podem também ser imitadas, usando outro de tipo de abordagem, a ser tratada mais a frente. Por enquanto, cabe-nos ajudar aos nossos amigos, filhos e funcionários  a descobrirem e classificarem estas habilidades.

 

OS SETE NÍVEIS DAS HABILIDADES

AFINIDADE

TEM HABILIDADE

NEUTRO

NÃO TEM HABILIDADE

NÍVEL

+3

+2

+1

0

-1

-2

-3

DESCRIÇÃO

Mestre

Talentoso

Razoável

Indiferente

Fraco

Ruim

Medíocre

 

O quadro é auto-explicativo. As pessoas com níveis +2 e +3 possuem talento para desempenhar bem suas funções e com muito mais facilidade do que as de outros níveis.

As pessoas do +1 conseguem desempenhar de forma razoável uma determinada tarefa. As demais, do nível 0 até o -3, gradativamente apresentam a falta de talento.

Em se tratando de uma empresa, que procura talentos no mercado, não vai ser fácil ter “mestres” em todos os cargos. Dependendo da região ou da especialidade, haverá escassez. Outro aspecto, é que talvez fique muito caro manter um time somente com pessoas de primeira linha. Nestes casos, recomendo que se faça uma mesclagem, colocando algumas pessoas talentosas junto com  pessoas de menor desempenho.

Reter os talentos descobertos é também um grande desafio. Hoje as empresas criaram vários incentivos para manter esse grupo dentro de casa. O certo é que, sem talentos, é muito difícil para uma empresa competir no mercado dos dias de hoje. Há necessidade de se reinventar  a empresa em períodos cada vez mais curtos.

E como fazer para descobrir os seus próprios talentos? Se você já nasceu, por exemplo, em uma família de músicos e tem talento natural para isto, vai muito fácil de descobri-lo. Você fica o tempo inteiro exposto às oportunidades. A qualquer hora você vai encontrar um violão encostado no canto da parede, pegá-lo e arriscar umas dedilhadas. Daí o talento é revelado.

Mas, como fazer para descobrir os talentos que você não sabe que tem? Minha sugestão é que você experimente um pouco de cada coisa. Faça uma lista de atividades a “degustar”. Ponha lá coisas como: assistir a um julgamento, ir a uma corrida de kart, andar barco, ajudar equipes de resgate, escalar uma montanha, ser voluntário em um abrigo, e daí por diante. Comece a fazer estas coisas. Veja quanto prazer você tem ao fazê-las e fique atento à opinião das outras pessoas. Na maioria das vezes nosso talento é descoberto pelos outros. Se após você concluir uma tarefa, alguém chegar e te der uma tapinha nas costas, pode ser que um novo talento esteja surgindo.

Não se deve desistir de procurar os próprios talentos. Há pessoas que descobrem muito cedo da vida a sua verdadeira vocação. Quando isto acontece é muito bom, mas se não aconteceu com você, não se desespere. Muitos começaram grandes negócios somente depois dos sessenta anos, depois de muitas tentativas e erros. Tenho um amigo que largou a profissão de vinte anos de analista de sistemas, para se dedicar a uma “Pet Shop”. Da ultima vez que o vi, ele parecia dez anos mais novo. Contou-me que no mês seguinte iria a uma feira internacional de animais de estimação, em Paris.

  

 

Os Axiomas da Energia

Quarta-feira, Maio 7th, 2008

AXIOMA # 2 – MAIS PRAZER É IGUAL A MENOS ENERGIA

“Ladeira abaixo, todo santo ajuda.”

 Popular.

“Se você ama o que está fazendo, isto deixa de ser trabalho.”

Fred Gratzon, no livro: Sucesso sem Esforço.

“Um ser integral conhece sem agir, vê sem olhar e realiza sem fazer…”

Lao Tzu.

 

            Criei o mapa de níveis astenianos, em 2007, como parte de uma apresentação para um seminário de marketing, organizado pela turma concluinte do Curso Superior de Marketing de Vendas da Universidade Potiguar (UNP). Ele foi concebido para mostrar como as pessoas percebem os produtos do mercado, em uma relação de amor e ódio, passando por vários níveis. Há notadamente coisas que amamos e coisas que odiamos. 

            São sete os níveis, numerados de -3 até +3, compondo uma tabela. Quanto maior for o número positivo, maior é a afinidade; e quanto maior for o número negativo menor é a afinidade.

O mapa possui aplicações diversas. Pode ser usado, por exemplo, para classificar a relação entre as pessoas de um grupo. No decorrer destes axiomas, veremos algumas destas aplicações. Por enquanto, vamos usá-los para analisar as afinidades das pessoas na execução de tarefas.

 

NÍVEIS DE AFINIDADES NA EXECUÇÃO DE TAREFAS.

 

AFINIDADE

NÍVEL

RELAÇÃO

REMUNERAÇÃO

Gosta de fazer

+3

Adora fazer.

Se necessário, até paga para fazer.

+2

Gosta muito de fazer.

Faz até de graça.

+1

Gosta de fazer.

Cobra para fazer.

Indiferente

0

Indiferente. Não gosta nem desgosta.

Cobra para fazer.

Não gosta de fazer

-1

Não gosta de fazer.

Cobra  para fazer.

-2

Não gosta muito de fazer.

Cobra caro para fazer.

-3

Detesta fazer.

Não faz por dinheiro algum.

 

            Como as informações explicam, classificamos as coisas que fazemos em sete níveis. Do nível +1 ao +3 ficam as coisas que gostamos de fazer. Do -1 ao -3 ficam as que não gostamos. No nível zero ficam aquelas das não gostamos nem deixamos de gostar.

            Das coisas que gostamos de fazer, temos aquelas que gostamos, embora pouco, mas que as fazemos mediante remuneração. A remuneração não necessariamente se faz na forma de pagamento em dinheiro. Pode ser através de reconhecimento, por exemplo. Estas são as de nível +1. Logo após temos as coisas que gostamos muito de fazer e que somos capazes de fazer até de graça. O nosso próprio reconhecimento é suficiente. Acima disto, temos as coisas de nível +3, as que adoramos. Estas nós até somos capazes de pagar para fazer. Pagar neste caso pode até significar pagar o maior “mico” em nome do prazer.

            Das coisas que não gostamos de fazer, temos as que não gostamos moderadamente, que são as de nível -1. Fazemos estas coisas mediante uma modesta remuneração. Após estas, temos as coisas que não gostamos muito de fazer e que para fazê-las cobramos caro. As de nível -3 são as que detestamos e não há dinheiro no mundo que nos faça fazê-las. Guardadas as devidas proporções, normalmente classificamos assim as nossas atividades.

            Quando estamos executando coisas nos níveis +3 e +2, gastamos muito pouca energia. É recomendado, portanto, que empreguemos a maior parte do nosso tempo nestas atividades. As atividades fora destes dois níveis necessitam de muita energia externa para ocorrerem. Em uma empresa, por exemplo, se a maior parte da equipe estiver a fazer coisas dos níveis negativos, o chefe vai ter que “caprichar” na pressão, nas cobranças e nos “gritos” , para fazer a turma produzir. Ao contrário, se as atividades forem classificadas em função das afinidades das pessoas, o trabalho flui naturalmente. Portanto, uma das grandes habilidades dos grandes líderes é colocar as pessoas certas nos lugares certos.

 

Os Axiomas da Energia

Terça-feira, Maio 6th, 2008

 

Axioma # 1 – Tudo é Energia

 

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”

Lavoisier.

“A energia não pode ser criada,não pode ser destruida.”

James Prescott Joule.

“E = mc2”

Albert Einstein.

 

Tudo no universo é energia. Mesmo as “coisas”, como mesas, cadeiras e sapatos, são formas de energia representadas como matéria. Assim, ao nosso redor, estamos cercados de energia por todos os lados.

A matéria pode ser convertida em energia através de transformações físicas, químicas e atômicas. O contrário também acontece, quando a energia é transformada em matéria. Por todo o cosmo, continuamente, temos matéria sendo transformada em energia, e vice-versa. O mesmo acontece dentro do nosso corpo.

 Nós, seres humanos, no dia a dia, fazemos muitas transformações de energia, tanto de forma microscópica, através das nossas células, como também através do nosso trabalho diário, quando empregamos esforços físicos ou intelectuais para realizar as nossas tarefas. É sobre esta última forma de troca de energia que iremos tratar nos nossos axiomas.

Os axiomas irão revelar como poderemos melhor fazer as trocas de nossas energias. É minha intenção provar que quem melhor fizer as escolhas das suas trocas de energia, será mais bem sucedido naquilo que escolher como seu projeto de vida; seja este o de acumular bens materiais ou valores espirituais.

Para exemplificar melhor, vejamos um caso prático. Se você recebe uma pessoa para conversar, que somente “merece” dois minutos da sua atenção, e você dedica duas horas a ela, você notadamente teve um enorme desperdício de energia, aqui representada na forma de tempo. O contrário também é verdade. Se você dedica dois minutos diários de conversa ao seu filho, quando, na sua concepção deveria dedicar duas horas, você também está fazendo uma péssima conversão de energia. Não é objetivo, destes axiomas, tratarem das questões sobre os enfoques humanitários, de deixar ou não de dar atenção ás pessoas. Os aspectos humanitários são importantes na vida das pessoas. Entretanto, o nosso enfoque será técnico e, friamente analisando os casos  acima, tivemos péssimas trocas de energia. No nosso dia a dia, somos obrigados repetidamente a fazer escolhas como estas, e convém refletirmos sobre como as estamos fazendo.

Tempo, dinheiro, imóveis, conhecimento, bens materiais, prestígio e inteligência, entre tantos outros, são formas de energia. Tempo pode ser convertido em dinheiro, que pode ser convertido em imóveis, que pode ser convertido em dinheiro, que pode ser convertido em conhecimento (comprando-se um livro, por exemplo), e assim sucessivamente.

Para maior entendimento dos próximos axiomas, vamos dividir a energia em duas formas. A primeira é a energia potencial e a segunda é a energia cinética.

A energia é dita potencial quando está em repouso. Pronta para ser usada. A água em uma caixa d’água, por exemplo, está na forma potencial. Ao abrir a torneira, ela se transforma em energia cinética. No mundo real, a forma mais prática de acumular energia potencial é através do dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais energia potencial. O dinheiro é uma forma de energia de alto poder de conversibilidade. Pode quase sempre ser transformado, com muita facilidade, em outros tipos de energia, como trabalho e bens, por exemplo, pois, em tese, basta pagar para tê-los. Outra forma muito presente de energia potencial é a nossa energia corporal. Quando comemos, estamos suprindo o nosso corpo de energia. Esta energia poderá posteriormente ser transformada em trabalho. Nosso conhecimento acumulado é energia potencial. Quando estudamos estamos aumentando esta energia. Quanto maior a quantidade de conhecimento acumulado, maior é o nosso potencial.

A energia é dita cinética quando está movimento. Quando a energia potencial entra em ação é que ela se torna cinética. Uma pessoa correndo está transformando sua energia potencial, acumulada através da ingestão de alimentos, em energia cinética. Energia cinética envolve basicamente realização de trabalho. Ao por o celular para carregar, por exemplo, estamos acumulando energia potencial para depois usá-la durante a comunicação.  Os conhecimentos acumulados, quando aplicados, são bons exemplos de energia cinética.  É através da ação que as coisas acontecem. Pessoas bem sucedidas, dentro do conceito individual de cada um, fazem as coisas acontecerem. Ao nosso redor podemos encontrar pessoas que passaram a vida fazendo planos sem nunca colocá-los em prática. São eternos “sonhadores” que nunca agem. Somente podemos considerar que há realização quando há movimento e conversão de energia.