Archive for the ‘Histórias de Nasrudin’ Category

NASRUDIN

Domingo, Agosto 16th, 2009

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Nasrudin, o mestre que se faz de louco, o sábio que finge ser tolo, o personagem central de grande parte dos ensinamentos sufis.

Quando dar e quando receber

Nasrudin passeava pelo mercado, quando um homem se aproximou.

- Sei que és um grande mestre sufi - disse. - Hoje de manhã, meu filho me pediu dinheiro para comprar uma vaca; devo ajudá-lo?

- Esta não é uma situação de emergência. Então, aguarde mais uma semana antes de atender o seu filho.

- Mas tenho condições de ajudá-lo agora; que diferença fará esperar uma semana?

- Uma diferença muito grande - respondeu Nasrudin.

- A minha experiência mostra que as pessoas só dão valor a algo quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não conseguir o que desejam

HISTÓRIAS DE NASRUDIN

Sábado, Junho 13th, 2009

O QUE É O DESTINO…

   
“O que é Destino?”, foi a pergunta feita a Nasrudin por um estudioso.
“Uma sucessão interminável de eventos entrelaçados, um influenciando o outro.”
“Não é uma resposta muito satisfatória. Eu acredito em causa e efeito.”
“Muito bem. Veja só aquilo”, respondeu Nasrudin, apontando um cortejo que passava justo por aquela rua.
“Aquele homem está sendo levado à forca. Por que será? Por que alguém lhe deu uma moeda de prata que lhe permitiu comprar a faca com a qual cometeu o assassinato? Ou porque alguém testemunhou o crime? Ou foi porque ninguém o impediu de cometê-lo?”

Nasrudin

Sexta-feira, Fevereiro 27th, 2009

Pediram ao chefe que escrevesse uma carta de referência para Mulla Nasrudin, que ele estava demitindo após apenas uma semana de trabalho. Ele não queria mentir, nem chatear o Mulla desnecessariamente. Então escreveu: “A QUEM INTERESSAR POSSA: MULLA NASRUDIN TRABALHOU PARA NÓS POR UMA SEMANA, E ESTAMOS SATISFEITOS.”

Nasrudin

Sexta-feira, Fevereiro 27th, 2009

NASRUDIN E O JUIZ

Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin:

- Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria?
- O dinheiro, é claro - respondeu Nasrudin, sem pestanejar.
- O quê! - disse o juiz. Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre!
- Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! - respondeu tranqüilamente o mestre Nasrudin.

Nasrudin

Sexta-feira, Fevereiro 20th, 2009

 

Certa manhã, Nasrudin - o grande místico sufi que sempre fingia ser louco - colocou um ovo embrulhado em um lenço, foi para o meio da praça de sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.

- Hoje teremos um importante concurso! - disse - Quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:

- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer adivinhações! Nasrudin insistiu:

- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de fertilidade, e nos lembra dos pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que está escondido?

Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros.

E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao redor talvez fosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava querendo fazer alguém de ridículo.

Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém se arriscou a dizer algo impróprio. Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.

- Todos vocês sabiam a resposta - afirmou. - E ninguém ousou traduzi-la em palavras.

“É assim a vida daqueles que não tem coragem de arriscar: as soluções são dadas generosamente, mas estas pessoas sempre procuram explicações mais complicadas, e terminam não fazendo nada.”

Nasrudin

Segunda-feira, Fevereiro 16th, 2009

 

Alguém viu Nasrudin procurando alguma coisa no chão.

“O que é que você perdeu, Mullá?”, perguntou-lhe

“Minha chave”, respondeu o Mullá.

Então, os dois se ajoelharam para procurá-la.

Um pouco depois, o sujeito perguntou:

“Onde foi exatamente que você perdeu esta chave?”

“Na minha casa.”

“Então por que você está procurando por aqui?”

“Porque aqui tem mais luz.”

 

 

Nasrudin

Sexta-feira, Fevereiro 13th, 2009

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor.

A história correu pelo condado.

Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

Nasrudin lhe respondeu:

- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão parar de me oferecer dinheiro…

Nasrudin

Quarta-feira, Fevereiro 4th, 2009

O célebre e contraditório personagem sufi Mulla Nasrudin visitou a Índia. Chegou a Calcutá e começou a passear por uma de suas movimentadas ruas. De repente viu um homem que estava vendendo o que Nasrudin acreditou que eram doces, ainda que na realidade fossem chiles apimentados.

Nasrudin era muito guloso e comprou uma grande quantidade dos supostos doces, dispondo-se a dar-se um grande banquete. Estava muito contente, se sentou em um parque e começou a comer chiles a dentadas. Logo que mordeu o primeiro dos chiles sentiu fogo no paladar.

Eram tão apimentados aqueles “doces” que ficou com a ponta do nariz vermelha e começou a soltar lágrimas até os pés. Não obstante, Nasrudin continuava levando os chiles à boca sem parar. Espirrava, chorava, fazia caretas de mal estar, mas seguia devorando os chiles. Assombrado, um passante se aproximou e disse-lhe:

-Amigo, não sabe que os chiles só se comem em pequenas quantidades?

Quase sem poder falar, Nasrudin comentou:

-Bom homem, creia-me, eu pensava que estava comprando doces.

Mas Nasrudin seguia comendo chiles. O passante disse:

-Bom, está bem, mas agora já sabes que não são doces. Por que segues comendo-os?

Entre tosses e soluços, Nasrudin disse:

-Já que investi neles meu dinheiro, não vou jogá-los fora.

 

 

Histórias de Nasrudin

Segunda-feira, Agosto 25th, 2008

Certa tarde, conta uma antiga história sufi, Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor. -”Por que você nunca se casou, Nasrudinn?”, perguntou o amigo. -”Bem”, respondeu, Nasrudin, “para dizer a verdade, passei toda a minha juventude a procurar a mulher perfeita. No Cairo conheci uma moça linda e inteligente, com olhos que pareciam olivas pretas, mas ela não era muito cortês. Depois, em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muito interesses em comum. Muitas mulheres passaram pela minha vida, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais. então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem- educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era perfeita”. -”E então”, replicou o amigo de Nasrudiin, “o que aconteceu? Por que você não se casou com ela?” Pensativo, Nasrudin sorveu mais um gole de chá e concluiu: -”Infelizmente, parece que ela estava a procura do homem perfeito.”

Histórias de Nasrudin

Terça-feira, Agosto 19th, 2008

Nasrudin e o Ovo

   
Certa manhã, Nasrudin colocou um ovo embrulhado num lenço, foi para o meio da praça da sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.
- Hoje vamos ter um importante concurso! A quem descobrir o que está embrulhado neste lenço eu dou de presente o ovo que está dentro!
As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer esse tipo de previsões!
Nasrudin insistiu:
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que se parte facilmente. É um símbolo de fertilidade, e lembra-nos dos pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem é que me pode dizer o que está aqui escondido?
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha nas suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros. E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido em seu redor talvez fosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava a querer fazer alguém passar por ridículo. Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém respondeu.

HISTÓRIAS DE NASRUDIN

Segunda-feira, Junho 16th, 2008

A FARMÁCIA CÓSMICA DE NASRUDIN

Nasrudin estava desempregado. Perguntou, então, a alguns amigos que tipo de profissão deveria seguir.

Bem, Nasrudin, disseram, você é muito capaz e conhece bastante as propriedades medicinais das ervas. Poderia abrir uma farmácia.Nasrudin foi para casa, pensou e disse para si mesmo: sim, acho que é uma boa idéia. Acho que sou capaz de fazer isso.
Naturalmente, sendo Nasrudin, nessa ocasião em particular passava por um de seus momentos de desejar ser proeminente e importante. Assim, pensou: Não abrirei apenas uma loja de ervas ou uma farmácia que lide com ervas; abrirei algo grandioso e que cause um forte impacto.
Comprou uma loja, instalou prateleiras e armários e quando chegou a hora de pintar a fachada, montou um andaime, cobriu-o com chapas e trabalhou atrás delas. Não deixou que ninguém visse o nome que daria à farmácia ou como a fachada estava sendo pintada.

Após vários dias, distribuiu folhetos que diziam: Grande inauguração, amanhã às nove horas.

Todos de sua aldeia e das aldeias vizinhas vieram e ficaram esperando em frente à nova loja. Às nove horas, Nasrudin apareceu, retirou a placa da frente e lá estava um enorme cartaz onde se lia: Farmácia Cósmica e Galáctica de Nasrudin e abaixo estava escrito: Influenciada e harmonizada com influências planetárias.

Muita gente ficou impressionada e ele fez um ótimo negócio naquele dia. Ao anoitecer, um professor local aproximou-se de Nasrudin e lhe disse: Francamente, essas alegações que você faz são um pouco duvidosas.

Não, não, respondeu Nasrudin, cada alegação que faço sobre influência planetária é absolutamente correta. Quando o sol se levanta, abro a farmácia e quando o sol se põe, eu fecho.
 

 

 

Histórias de Nasrudin

Segunda-feira, Maio 19th, 2008

A Farmácia cósmica de Nasrudin

Nasrudin estava desempregado. Perguntou, então, a alguns amigos que tipo de profissão deveria seguir. “Bem, Nasrudin,” disseram, “você é muito capaz e conhece bastante as propriedades medicinais das ervas. Poderia abrir uma farmácia.” Nasrudin foi para casa, pensou e disse para si mesmo: “sim, acho que é uma boa idéia. Acho que sou capaz de fazer isso.” Naturalmente, sendo Nasrudin, nessa ocasião em particular passava por um de seus momentos de desejar ser proeminente e importante. Assim, pensou: “Não abrirei apenas uma loja de ervas ou uma farmácia que lide com ervas; abrirei algo grandioso e que cause um forte impacto”. Comprou uma loja, instalou prateleiras e armários e quando chegou a hora de pintar a fachada, montou um andaime, cobriu-o com chapas e trabalhou atrás delas. Não deixou que ninguém visse o nome que daria à farmácia ou como a fachada estava sendo pintada. Após vários dias, distribuiu folhetos que diziam: “Grande inauguração, amanhã às nove horas”. Todos de sua aldeia e das aldeias vizinhas vieram e ficaram esperando em frente à nova loja. Às nove horas, Nasrudin apareceu, retirou a placa da frente e lá estava um enorme cartaz onde se lia: “Farmácia Cósmica e Galáctica de Nasrudin” e abaixo estava escrito: “Influenciada e harmonizada com influências planetárias”. Muita gente ficou impressionada e ele fez um ótimo negócio naquele dia. Ao anoitecer, um professor local aproximou-se de Nasrudin e lhe disse: “Francamente, essas alegações que você faz são um pouco duvidosas”. “Não, não”, respondeu Nasrudin, “cada alegação que faço sobre influência planetária é absolutamente correta. Quando o sol se levanta, abro a farmácia e quando o sol se põe, eu fecho.”

Histórias de Nasrudin

Sexta-feira, Maio 16th, 2008

 

Nasrudin foi empossado como juiz. Durante seu primeiro caso, o reclamante argumentou com tanta persuasão, que Nasrudin exclamou!

-  Acho que você tem razão.

O funcionário do tribunal rogou-lhe para que se contivesse, pois o acusado ainda não havia sido ouvido.

Nasrudin ficou tão envolvido pela eloquência do acusado, que esclamou assim que o homem terminara de expor suas evidências.

- Acho que você tem razão.

O funcionário chega ao lado de Nasrudin e fala.

- Excelencia, o Sr. não pode fazer isto!. O Sr. tem que escolher quem está certo e quem está errado!.

E Nasrudin, virando-se para o funcionário, fala conclusivamente.

- Você tem razaõ.

 

 

Histórias de Nasrudin

Quinta-feira, Maio 15th, 2008

 Um vizinho procurou Nasrudin.

- Nasrudin, me empresta seu burro?

- Lamento, disse Nasrudin, mas já o emprestei.

Assim que acabou de dizê-lo, o burro zurrou. O som vinha do estábulo de Nasrudin.

- Mas Nasrudin, posso ouvir o burro bem ali!

Enquanto fechava a porta na cara do sujeito, Nasrudin falou com toda altivez:

- Um homem que prefere acreditar na palavra de um burro ao invés de acreditar na minha, não merece que lhe seja emprestado coisa alguma. 

NOTA: Nasrudin é um personagem presente em várias culturas, que atravessou gerações. Por traz de sua aparente ingenuidade, usando o humor como ferramenta, este mestre SUFI nos leva a perceber o caráter paradoxal da vida e nos desvela nossa forma de pensar condicionada. Os contos, precisamente por seu humor, esgueiram-se por entre os padrões mentais impostos à humanidade pelo hábito e conduzem a consciência um pouco mais adiante no caminho de uma verdadeira compreensão.