IMPERDÍVEL

o-apanhador

NA BEIRA DO PRECIPÍCIO

“Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer; ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. (…) Se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho de agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer”

Trecho de “O Apanhador no Campo da Centeio” de J.D. Salinger, falecido esta semana.

Li o livro do J.D. Salinger há uns dez anos atrás. O título do livro é vendedor, ainda mais para  nós aqui do Nordeste que não sabemos bem como é um campo de centeio. Havia também de minha parte uma curiosidade sobre o livro que se dizia ser o preferido dos Serial-Killers.

Ao terminar o livro, fiquei sem entender o porque de tanto fascínio por ele ao redor do mundo. O que dizer de um adolescente que narra uma parte de sua história, sempre na primeira pessoa, durante o livro inteiro. Confesso que fiquei frustrado.

Algum tempo depois é que a ficha caiu. Lembrei que li o livro de um fôlego só. Não consegui larga-lo. Salinger tem uma narrativa hipnótica. Você sempre acha que algo excepcional vai acontecer no próximo parágrafo. Ele é um especialista em criar imágens na mente dos leitores e controlar suas emoções através de palavras. Passei o livro inteiro achando que o protagonista iria matar um monte de gente na linha seguinte para frustar-me e passar a “ansiar”  por isto na próxima.

E onde está o segredo do Salinger? Na arte inigualável de escrever narrativas. Poucos conseguiram fazer isto com tanta maestria. Assim, recomendo Salinger para aqueles que querem aprender a escrever.  A contar estórias. A dominar a arte de dominar a mente das pessoas através da narrativa.

(Astênio)

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