INFORMÁTICA EM REVISTA (MATÉRIA DE AGOSTO)

PODE ATÉ DOER MUITO, MAS O RESULTADO É GARANTIDO.

Há sete anos minha filha Aracelli, então com treze anos, adoeceu. Foi uma doença “esquisita”. Ela tinha dores pelo corpo todo e as mãos começaram a “entortar”. Levei-a, como tradicionalmente fazia, a um hospital da nossa cidade. Após as primeiras análises, a médica que a atendeu afirmou categoricamente: “É uma virose. Vou passar uma relação de medicamentos que farão com que ela ponha o vírus para fora, através da urina”.

Saí do hospital com uma receita e parei na primeira farmácia. Quinze minutos depois, e trezentos reais a menos, saí com um pacote de remédios. O pacote era tão grande que precisei segurar com as duas mãos.

Começamos a ministrar os medicamentos e Aracelli piorava cada vez mais. Dois dias depois, ela já não conseguia caminhar direito. As dores eram intensas. Gelei quando, no trabalho, recebi um telefonema de casa. Uma voz angustiada do outro da linha dizia: “painho, está doendo muito.”.

Voltamos ao hospital. O diagnóstico, dado por outro médico, afirmou que a medicação da médica anterior estava correta. O médico ainda insinuou que nós, os pais, precisávamos nos acalmar e que estas doenças são assim mesmo. Levava um certo tempo para o medicamento agir.

De volta ao trabalho, encontro casualmente Geisa Alecrim, irmã de Marcelo Alecrim da Alesat, que, ao me ver preocupado, pergunta: “O que está acontecendo?”. Conto a história. Ela em seguida me diz: “Tem um médico que vai resolver o seu problema. É um infectologista. Seu nome é Kleber Luz”.

Foi uma verdadeira maratona conseguir uma consulta com o Dr. Kleber. Sua agenda estava lotada. Havia horário para dali a duas semanas. Apelei para amigos médicos, que o conheciam. Finalmente conseguimos uma vaga para o final da tarde daquele mesmo dia.

Chegamos ao consultório, na hora marcada, esperamos um pouco e fomos atendidos. Ele examinou Aracelli. Analisou as mãos já curvadas. Pensou um pouco. Depois se dirigiu a uma prateleira, que havia acima da sua mesa de trabalho. Pegou um livro de uns seis centímetros de grossura. Abriu-o. Folheou algumas páginas e parou em uma específica. Dirigindo-se para nós, com o livro aberto, mostrou um texto e falou:

“A febre reumática é uma doença que possui cinco sintomas. Sua filha apresenta dois deles: este primeiro e este segundo. Isto é suficiente para caracterizar uma febre reumática. Passe em uma farmácia, compre este medicamento e mande aplicar imediatamente.”

Saímos apressadamente do consultório. Nas mãos, um papel onde estava escrito: Benzetacil.

Eu sabia que esta injeção doía horrores. Aracelli deu um grito enorme quando o enfermeiro aplicou-a. Dizem as pessoas que já a tomaram, que a dor é terrível. Pelo que vi minha filha “estrebuchando”, parece que dói mesmo.

Do hospital para casa, levamos quinze minutos. Ao chegar em casa, Aracelli, saiu correndo do carro, sentou-se na mesa toda animada e gritou: “MÃE, TÔ COM FOME!”.

Olhei espantado. Ela não apresentava mais nenhum resquício  do sofrimento que passou durante uma semana. Estava curada. Em apenas quinze minutos, a medicação tinha agido e as dores haviam desaparecido. Esfreguei os olhos para acreditar. Parecia mágica.

Dias depois, retornamos ao consultório do Dr. Kleber. Animadamente contamos da pronta recuperação, e da nossa felicidade. Agradecemos muito.

Em um determinado momento, o Dr. Kleber nos interrompeu e disse: “Ela vai ter que tomar uma injeção de benzetacil a cada quinze dias, durante cinco anos”.

Demorei alguns minutos para me acostumar com a idéia. Aracelli, ao ouvir o tratamento, caiu no choro. Uma injeção daquelas, de quinze em quinze dias, durante cinco anos, ninguém merece!. É sofrimento demais.

Recuperando-me parcialmente do veredicto, perguntei ao Dr. Kleber: “Tem que ser desta forma?”.

Ele me respondeu: “Tem! Este é o tratamento usando há quarenta anos. É muito eficiente. Ainda não inventaram nada melhor”.

Ainda preocupado, perguntei: “E não há alternativas?”

E ele prontamente me respondeu: “Ainda bem que não!”

“Como assim?”, perguntei.

“Em medicina, quando você tem alternativas, significa que nenhuma delas serve. A coisa só funciona bem quando você tem uma solução: a que resolve. Não sei nas outras profissões, mas na minha é deste jeito”.

Após um momento de reflexão, onde um filme passou pela minha mente, completei, dirigindo-me a ele:  “Nas outras também. Na minha por exemplo, que é informática, é desse jeito mesmo. Pensando bem, em tudo é desta forma. Quando há alternativas significa que nenhuma delas resolve prontamente.”

Passados muitos anos, Aracelli já parou de tomar as injeções e hoje é muito saudável e feliz. Deste episódio, trago grandes lições. A primeira é de que: quando resolvamos abraçar uma profissão, que sejamos dedicados e muito competentes como o Dr. Kleber o é. Ser um grande profissional depende de muita dedicação e de muito estudo.

A segunda é que:  tenhamos consciência de que o que resolve é sempre simples e direto, como a benzetacil. Pode até doer muito, mas o resultado é garantido. E não há alternativas. Na nossa vida corporativa, muitas vezes conhecemos a doença e o remédio, mas não o aplicamos porque sabemos que vai doer. Demoramos a aplicar o antídoto e o paciente morre. Empresas tem falido, projetos naufragados e empregos perdidos por causa do medo de usar a medicação correta.

De conclusivo aprendi que: não adianta se esconder. Façamos o que tem de ser feito. É a única forma. Ainda bem!

4 Responses to “INFORMÁTICA EM REVISTA (MATÉRIA DE AGOSTO)”

  1. Raquel says:

    É impressionante amigo, como você até com a história de Aracelli, que com benzetacil, ou sem benzetacil é um doce de menina, chega com frases decisivas para a minha vida.
    A dôr é forte, mas o resultado irá ser maior do que ela.

    Abraço forte!
    Há, vamos almoçar, você tá me devendo um livro, lembra?

  2. clarice says:

    meu filho teve faringite e fez um exame aslo, que detectou que ele estava com bacteria na garganta,e enfimele vai tomar bezetacil dos 6aninhos ate 21anos.que dor mais graças a Deus que tem cura.

  3. Eu tbm tenho febre reumática, descobri com 14 anos hj tenho 18 e todo mês tomo uma injeção de bezetacil e tem q ser assim até completar 21 anos. É ruim, mas é mto importante para a recuperação, além de que é muito raro sentir aquelas dores terriveis.

  4. eliane says:

    Tenho algumas duvidas, sobre reumatismo e benzetacil!!
    Descobri q tinha reumatismo com 4 anos de idade, me tratei com benzetacil ate os 18 anos mais ou menos agora tenho 25 e estou curada, mas tenho problemas para engravidas e meus dentes sao quebradisos será q pode estar relacionado ao tratamento com a benzetacil ?
    AGUARDO RESPOSTAS SE POSSIVEL OBRIGAGDA!!

Leave a Reply